Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que o empresário Erik Janson Marinho — investigado por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo desvios no INSS — realizou o pagamento de um boleto no valor de R$ 51,6 mil em nome do senador Efraim Filho (PL).
A operação foi classificada como atípica e aparece em documento produzido no âmbito das investigações. Erik Marinho é segundo suplente do parlamentar e foi alvo da Polícia Federal durante uma das fases da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de ocultação de patrimônio e movimentações financeiras suspeitas.
De acordo com o relatório do Coaf, o pagamento foi identificado a partir da análise de transações realizadas em nome de terceiros. O documento cita nominalmente o senador como beneficiário do boleto quitado.
“Identificamos a realização de pagamentos de boletos de cobrança em nome de terceiros. Por amostragem, demonstramos os principais sacados: (…) 51.632,64 (…) Efraim de Araújo Morais Filho”, registra o relatório.
Apesar de ter o nome citado, Efraim Filho não é investigado no caso. Em declaração, o senador afirmou que solicitou ajuda ao suplente para quitar o boleto devido à falta de saldo na conta na data do vencimento.
“Se trata de um boleto de um contrato privado meu. No dia do vencimento, eu não tinha o valor em conta. Pela nossa relação de suplente, perguntei se ele podia me ajudar a quitar o boleto, e ele disse que sim, e assim o fez”, explicou.
O parlamentar também afirmou que tentou devolver o valor posteriormente, mas que o suplente não chegou a cobrar a quantia.

Erik Marinho é segundo suplente do senador Efraim Filho (PL-PB)
“Quis pagar, mas acredito que, pela relação de suplente, ele nunca decidiu me cobrar até hoje”, acrescentou.
Erik Marinho foi alvo da Polícia Federal em dezembro, no âmbito da Operação Sem Desconto. Segundo os investigadores, ele teria atuado em conjunto com um empresário conhecido como “Careca do INSS”, participando de etapas relevantes de um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
De acordo com a PF, Marinho e a esposa abriram empresas com capital social reduzido que teriam sido utilizadas para ocultar bens, incluindo aeronaves. Um trecho do relatório policial aponta que ele teria se inserido em fases específicas voltadas à “ocultação e dissimulação de bens e valores”.