A compra de uma cobertura triplex avaliada em R$ 22 milhões pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), em um dos endereços mais valorizados de São Paulo, entrou no centro das investigações da Polícia Federal que apuram a relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O imóvel foi adquirido poucos meses antes da apresentação de uma emenda no Senado que, segundo a PF, beneficiaria diretamente a instituição financeira.
Ciro foi alvo de mandados de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quinta-feira (7/5). A investigação aponta suspeitas de que o senador teria atuado politicamente em favor de Vorcaro em troca de vantagens econômicas consideradas indevidas. De acordo com a Polícia Federal, o parlamentar teria recebido pagamentos mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. O senador nega qualquer irregularidade.
O imóvel citado na apuração é uma cobertura triplex de 514 metros quadrados localizada na Rua Oscar Freire, área nobre da zona oeste da capital paulista, conhecida por concentrar lojas de luxo e restaurantes de alto padrão. A aquisição foi realizada em julho de 2024 diretamente com a incorporadora responsável pelo empreendimento, que ainda está em fase final de construção.
A investigação também relaciona a compra do imóvel ao período em que Ciro se tornou sócio de Daniel Vorcaro. Pouco depois, em agosto de 2024, o senador apresentou uma emenda à PEC nº 65/2023 propondo ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por depositante — medida considerada estratégica para o Banco Master, que enfrentava dificuldades de liquidez.
Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto da chamada “emenda Master” teria sido elaborado pela assessoria do banco e apresentado “integralmente” por Ciro no Senado. Em uma das conversas citadas pela investigação, Vorcaro afirma que a proposta “saiu exatamente como mandei”.
Em resposta às suspeitas, o senador afirmou que a compra do triplex ocorreu de forma legal e foi negociada diretamente com a construtora. Segundo ele, parte do pagamento envolve a entrega de outro apartamento no mesmo prédio, avaliado em R$ 8 milhões, além de parcelas em dinheiro.
“Todo o imóvel foi negociado com a construtora e pago 100% por minha empresa”, declarou Ciro, citando a CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa mencionada pela investigação como suposto canal de recebimento de recursos ilícitos.
A operação da PF aprofunda as apurações sobre a relação entre agentes políticos e o Banco Master, investigado em um esquema bilionário de fraude contra o sistema financeiro nacional.