Paraíba, quinta, 21 de maio de 2026

Centrão articula corte no FGTS e na contribuição patronal em proposta sobre fim da escala 6×1Brasil

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Emendas apoiadas por mais de 170 deputados de partidos como PL, PP, União Brasil, Republicanos e MDB pressionam por redução de direitos trabalhistas e transição de até 10 anos.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas ganhou um novo capítulo de forte tensão política na Câmara dos Deputados. Em meio às negociações da proposta, partidos do Centrão e da oposição passaram a pressionar por mudanças que incluem a redução do FGTS e da contribuição patronal à Previdência Social — medidas vistas por setores sindicais como uma perda direta de direitos dos trabalhadores.

As alterações aparecem em emendas apresentadas por deputados ligados ao bloco conservador e ao empresariado. Uma delas, assinada por 176 parlamentares e liderada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), propõe reduzir de 8% para 4% a contribuição das empresas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O texto também prevê isenção temporária da contribuição patronal à Previdência, hoje fixada em 20% sobre a folha salarial.

O movimento reúne principalmente deputados do PL, que responde por 61 assinaturas, seguido por PP (32), União Brasil (23), Republicanos (17) e MDB (13), consolidando uma ampla frente do Centrão em defesa de uma transição mais longa e de menor custo para o setor empresarial.

Além das mudanças nas contribuições trabalhistas, a emenda estabelece que o fim da escala 6×1 só entraria em vigor dez anos após a promulgação da PEC. O texto ainda exclui da redução da jornada trabalhadores de setores considerados “essenciais”, como saúde, segurança, abastecimento, mobilidade e infraestrutura crítica.

Outra proposta semelhante, apresentada pelo deputado Tião Medeiros (PP-PR) e apoiada por 171 deputados, reforça a pressão sobre o relator da matéria, deputado Leo Prates (Republicanos-PB), e amplia o impasse dentro da Comissão Especial.

O governo federal tenta barrar as mudanças e defende uma proposta sem redução salarial e sem cortes em direitos trabalhistas. Nos bastidores, porém, líderes do Centrão argumentam que as compensações seriam necessárias para reduzir impactos econômicos sobre empresas e setores produtivos.

Diante da pressão política, a apresentação do parecer foi adiada para a próxima segunda-feira (25). A votação na Comissão segue prevista para o dia 26 de maio.