Paraíba, sexta, 03 de julho de 2026

Alcolumbre adia debate sobre fim da escala 6×1 no Senado para depois das eleiçõesBrasil

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Presidência da Casa avalia que a proposta deve ser discutida em um ambiente menos influenciado pelo calendário eleitoral, enquanto setores produtivos defendem análise técnica dos impactos da medida.

A proposta que reduz a jornada semanal de trabalho e altera a atual escala 6×1 não deve avançar no Senado Federal antes das eleições deste ano. A decisão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é deixar a discussão para o período pós-eleitoral, sob o argumento de que um tema com impactos econômicos e sociais relevantes precisa ser analisado fora do ambiente de disputa política.

Com o Congresso Nacional funcionando em ritmo reduzido e as atenções dos parlamentares voltadas para as articulações eleitorais, a presidência do Senado avalia que o debate poderá ocorrer de forma mais técnica nos últimos meses do ano, evitando que a proposta seja incorporada ao discurso de campanha.

Nos bastidores, interlocutores da presidência afirmam que a expectativa é retomar a tramitação da matéria apenas no último bimestre, incluindo a realização de audiências públicas para discutir os efeitos da redução da jornada de trabalho.

Nem mesmo a chegada da senadora Teresa Leitão (PT-PE) à liderança do Governo no Senado alterou esse cenário. Defensora de pautas trabalhistas, a parlamentar buscou abrir diálogo para acelerar a discussão da proposta, mas o cronograma definido pela presidência da Casa foi mantido.

O adiamento também ocorre em meio à pressão de representantes da indústria, do comércio e do setor de serviços, que defendem uma avaliação mais aprofundada dos impactos da mudança. Entidades empresariais argumentam que a redução da jornada sem um período de transição pode elevar custos para as empresas, pressionar a inflação e afetar a geração de empregos.

A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e estabelece a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, mantendo os salários e garantindo dois dias de descanso por semana. Agora, o texto depende da análise do Senado para seguir sua tramitação constitucional.