Paraíba, quinta, 03 de setembro de 2026

Em meio à crise no Judiciário, Edinho Silva cobra código de ética e fim de supersalários

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Coordenador da campanha de Lula afirma que “ninguém está acima da lei” e defende regras contra conflitos de interesse; declaração ocorre sob repercussão do caso Banco Master.

O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Edinho Silva, elevou o tom nesta quarta-feira (2) ao defender novas regras de controle e transparência para integrantes do Judiciário e do Ministério Público. Em manifestação nas redes sociais, ele propôs a criação de um código de ética, criticou os chamados supersalários e afirmou que autoridades também precisam estar submetidas aos limites da lei.

A declaração ocorre em um momento de pressão sobre instituições do Judiciário diante da repercussão de revelações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Edinho, porém, não mencionou diretamente Vorcaro nem atribuiu suas críticas a um episódio específico.

“Ninguém está acima da lei. Seja um cidadão comum, um governante, um parlamentar ou até um integrante do Poder Judiciário”, declarou.

“Profunda crise”

No vídeo, Edinho afirmou que o sistema político e judicial brasileiro atravessa uma “profunda crise” e criticou privilégios, corrupção e mecanismos que, em sua avaliação, acabam protegendo pessoas poderosas.

O dirigente também direcionou críticas à utilização de emendas parlamentares e defendeu maior transparência sobre a destinação do dinheiro público.

“É preciso acabar com a farra das emendas parlamentares, adotar um código de ética para todo o Judiciário e Ministério Público, com o fim dos supersalários e a promiscuidade entre interesses públicos e privados”, afirmou.

A manifestação coloca no centro do debate um tema sensível para as instituições: a adoção de regras mais rígidas para prevenir potenciais conflitos entre atividades públicas e interesses privados de integrantes do sistema de Justiça.

Parlamentares questionam atuação de Mendonça

A declaração de Edinho ocorre também enquanto parlamentares de partidos da base governista questionam a atuação do ministro André Mendonça no caso Banco Master.

Deputados de PT, Rede, PSOL e PCdoB encaminharam uma petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pedindo maior transparência nas investigações e defendendo o reconhecimento da suspeição de Mendonça para permanecer na relatoria do caso.

Entre os argumentos apresentados pelos parlamentares está um encontro entre Mendonça e Daniel Vorcaro ocorrido em março de 2025, antes de o ministro assumir a relatoria do processo, em fevereiro de 2026.

Os deputados também levantaram questionamentos sobre o tratamento dado ao sigilo de diferentes frentes de investigação relacionadas ao caso. Uma delas envolve recursos atribuídos a Vorcaro e supostamente relacionados à produção de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL).

Na avaliação dos parlamentares, tornar públicas investigações relacionadas a determinado campo político enquanto outras permanecem sob sigilo pode produzir efeitos no ambiente eleitoral.

Fachin fala em “deveres, limites e responsabilidades”

Também nesta quarta-feira, Edson Fachin afirmou que os fatos relacionados ao caso exigem análise cuidadosa e ressaltou que ocupar um cargo no Judiciário não significa possuir privilégios.

Segundo o presidente do STF, a autoridade decorrente da função impõe “deveres, limites e responsabilidades”.

As declarações surgem em meio ao aumento da pressão política por respostas institucionais e maior transparência sobre as relações entre agentes públicos e interesses privados.

Até então, Lula não havia se pronunciado diretamente sobre as recentes revelações relacionadas ao caso Banco Master. A manifestação de Edinho, embora sem citar nominalmente Vorcaro ou integrantes do Supremo envolvidos nas controvérsias, amplia o debate sobre limites éticos, transparência e mecanismos de controle dentro do sistema de Justiça.