Paraíba, domingo, 06 de setembro de 2026

Delegados da PF pedem que Gonet se declare impedido em apuração sobre relatório que cita Moraes

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Associação também defende arquivamento de procedimento aberto pelo procurador-geral para investigar possível interferência na produção de documento da PF.

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) vai pedir que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se declare impedido de atuar nos procedimentos relacionados ao relatório da PF que apontou uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A entidade argumenta que o próprio chefe da PGR é citado no documento e também defende o arquivamento da apuração aberta por ele sobre uma possível interferência na elaboração do relatório.

Em nota pública prevista para este sábado (5), a associação, que representa mais de 2,3 mil delegados da Polícia Federal, manifestará “indignação e preocupação” com a iniciativa de Gonet. A entidade quer que o procurador-geral se abstenha de praticar atos relacionados aos fatos em que aparece citado, tanto como fiscal da lei quanto no exercício do controle externo da atividade policial.

A reação ocorre depois de Gonet informar ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, na noite de sexta-feira (4), que instaurou um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para apurar a “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na produção do relatório.

Segundo Gonet, a apuração pretende esclarecer se uma eventual interferência comprometeu o conteúdo do documento. Além de Moraes e Vorcaro, o relatório também cita o próprio procurador-geral e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A ADPF contesta a iniciativa e sustenta que o procedimento deve ser arquivado por considerar o instrumento uma “via inadequada ao questionamento de ato do STF”.

O relatório que está no centro da controvérsia foi solicitado na semana passada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master. O documento foi assinado por quatro delegados e três agentes da Polícia Federal e tornado público na última terça-feira, também por decisão de Mendonça.

A associação defende ainda que os fatos revelados pela operação Compliance Zero sejam investigados em toda a sua extensão e “sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”.