O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), conhecido pelo best-seller Nunca desista de seus sonhos, anunciou que pretende abandonar a vida política após terminar em terceiro lugar na eleição presidencial de 2026. A declaração chama atenção pelo contraste com a mensagem de perseverança que ajudou a torná-lo conhecido nacionalmente.
Cury conquistou 3.448.569 votos, equivalentes a 2,89% dos votos válidos, no primeiro turno. Após a derrota, afirmou que tinha convicção de que não continuaria na política, embora tenha admitido que o futuro poderia trazer mudanças.
A decisão, no entanto, não o afastou imediatamente da disputa eleitoral. Nesta quinta-feira (8), o escritor anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O anúncio ocorreu quatro dias depois de Cury declarar que permaneceria em silêncio sobre os dois candidatos e que ninguém estava autorizado a negociar apoios em seu nome.
O escritor também afirmou que não pretende integrar um eventual governo de Flávio Bolsonaro e que manterá independência para cobrar o cumprimento das propostas.
Entre o discurso da perseverança e a realidade eleitoral
Autor de obras voltadas à inteligência emocional, à superação de dificuldades e à realização pessoal, Augusto Cury construiu parte de sua trajetória literária defendendo a importância da persistência diante dos obstáculos.
Por isso, sua decisão de abandonar a política logo após a primeira experiência presidencial abre espaço para um questionamento inevitável: o escritor que ensinou milhões de leitores a não desistirem de seus sonhos encontrou na política um limite para a própria perseverança?
A questão política mais relevante está na mudança de posicionamento sobre o segundo turno. Depois de anunciar neutralidade, o escritor decidiu participar da disputa por meio do apoio a Flávio Bolsonaro.
O gesto também coloca à prova o compromisso de Cury com a pacificação nacional, uma das principais bandeiras de sua campanha presidencial.
Agora, além de explicar sua saída da política, o escritor terá pela frente o desafio de demonstrar como pretende acompanhar e cobrar os compromissos que condicionaram seu apoio.
Afinal, entre escrever sobre a persistência e praticá-la na vida pública, existe uma diferença que os leitores — e os eleitores — têm o direito de questionar.