Paraíba, segunda, 19 de outubro de 2026

Ah, como eu amava acordar ao som das suas músicas aos domingos!

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Era assim a minha rotina de criança, na casa dos meus pais. A radiola ligada, o chiadinho do LP sob a agulha e aquela voz grave de Benito de Paula embalando as manhãs de domingo, enquanto meu pai cantarolava suas canções.

Meu Amigo Charlie Brown, Mulher Brasileira… sempre uma ode ao Brasil. Retalhos de Cetim, com sua melodia triste e tão bela, já me emocionava, mesmo quando eu ainda era criança. E Amigo do Sol, Amigo da Lua, que foi tema de novela? Eu cantava a plenos pulmões aquela melodia gostosa, de letra simples e cativante.

Não consigo ouvir Benito de Paula sem me lembrar do meu pai, da minha casa, da minha infância. É como se cada canção abrisse uma porta para aquele tempo em que a felicidade morava nas coisas mais simples: a família reunida, a manhã preguiçosa de domingo e a música preenchendo a casa.

Cresci, descobri outros artistas, aprendi a gostar de tantos estilos musicais, mas posso dizer que foi com Benito de Paula que conheci o samba. E ainda bem!

Agora, ele foi fazer parte de outra constelação. E nós, aqui, continuaremos a reverenciá-lo por tudo o que sua música representou e por tantas memórias que ajudou a construir.

Agradeço ao meu pai por ter me apresentado Benito e me ensinado, sem sequer perceber, a amar suas canções. E agradeço a Benito por ter feito parte da trilha sonora da minha vida.

Porque alguns artistas não ficam apenas na nossa memória musical. Eles passam a fazer parte da nossa história, da nossa família, de quem somos.

Vai com Deus, mestre! Sua voz continuará ecoando nas minhas manhãs de domingo, onde meu pai e minha infância estarão para sempre.