O ex-procurador-geral de Campina Grande, Aécio Farias, fez duras críticas à administração do prefeito Bruno Cunha Lima (União Brasil) e denunciou a existência de auxiliares que, segundo ele, agem com má-fé e prejudicam o funcionamento da gestão municipal. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (21), durante entrevista ao MR Cast, apresentado pelo jornalista Márcio Rangel.
Aécio, que integrou a administração municipal, afirmou que Bruno precisa se afastar de bajuladores e passar a ouvir pessoas com capacidade técnica e disposição para apontar os erros da gestão.
“Ele deveria se blindar, separar o joio do trigo”, declarou.
O ex-procurador foi ainda mais contundente ao descrever o grupo político que cerca o prefeito.
“Ele está cercado por um exército mercenário”, afirmou.
Na avaliação de Aécio, parte dos aliados permanece ao lado de Bruno por interesse no poder e poderá abandoná-lo quando ele deixar a Prefeitura. Para o ex-procurador, o prefeito precisa compreender a diferença entre colaboradores comprometidos com a administração e aqueles que apenas concordam com suas decisões.
As críticas não ficaram restritas ao campo político. Aécio também relatou dificuldades enfrentadas durante sua passagem pela Procuradoria-Geral do Município e afirmou que integrantes da própria administração teriam agido para dificultar o trabalho do órgão jurídico.
“Houve da parte de alguns secretários, da parte de alguns gestores dentro da gestão do prefeito, uma certa má vontade e, às vezes, até má-fé em relação à Procuradoria”, disse.
Segundo o ex-procurador, decisões administrativas eram tomadas sem a consulta prévia ao setor responsável pela orientação jurídica da Prefeitura, situação que, em sua avaliação, poderia comprometer a segurança dos atos praticados pela gestão.
Aécio citou a Operação Famintos como exemplo de problemas que poderiam ter sido identificados antecipadamente caso houvesse participação da Procuradoria nas decisões. Ele não detalhou, porém, episódios específicos que comprovassem as acusações de sabotagem.
As declarações ganham repercussão por partirem de um ex-integrante do primeiro escalão da administração municipal, que relata publicamente conflitos e dificuldades enfrentados dentro da própria Prefeitura.
Apesar das críticas, Aécio afirmou torcer pelo sucesso político de Bruno Cunha Lima, mas defendeu uma mudança na postura do prefeito e na escolha de seus auxiliares.
O posicionamento ocorre após mudanças no comando da Procuradoria-Geral do Município, com a nomeação do advogado Rodrigo Rabello. Aécio rompeu politicamente com Bruno Cunha Lima e se aproximou do grupo do governador Lucas Ribeiro (PP).
As acusações apresentadas pelo ex-procurador representam sua versão sobre o funcionamento interno da administração municipal e não foram acompanhadas, na entrevista relatada, de documentos que comprovem as condutas atribuídas aos auxiliares.