Em entrevista ao Senso Crítico, vereador critica discriminação política na escolha de artistas para o pré-carnaval de João Pessoa e defende que atual vice-presidente assuma a associação.
O vereador Guga Moov Jampa (PSD) defendeu a saída de Francinaldo Oliveira da presidência da Associação Cultural Via Folia após o dirigente declarar que não voltaria a contratar artistas contrários ao bolsonarismo. Em entrevista ao programa Senso Crítico, apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, o parlamentar classificou a postura como incompatível com a organização de um evento cultural que recebe recursos públicos e lembrou que artistas identificados com a direita já participaram da festa sem sofrer restrições políticas.
Como exemplo, Guga citou o cantor Netinho, falecido recentemente, que havia sido contratado para o pré-carnaval de João Pessoa mesmo sendo publicamente identificado com o bolsonarismo. Segundo o vereador, em nenhum momento houve tentativa de censurar o artista em razão de suas preferências políticas.
Para o parlamentar, o episódio demonstra que a programação cultural deve respeitar a diversidade de opiniões e não pode ser submetida às convicções partidárias de quem dirige a associação.
Guga também chamou atenção para os investimentos governamentais destinados à realização do pré-carnaval.
“O Via Folia recebe dinheiro público e toda a estrutura é fornecida pela Prefeitura, além de dinheiro do Estado e do Governo Federal”, afirmou.
O vereador argumentou que a utilização de recursos públicos exige responsabilidade e tratamento igualitário, não sendo aceitável estabelecer restrições à participação de artistas exclusivamente por suas posições políticas.
Além de cobrar a saída de Francinaldo Oliveira, Guga defendeu que a presidência da Via Folia seja assumida pelo atual vice-presidente da associação, que também preside o bloco Virgens de Tambaú.
A manifestação do parlamentar ocorreu após Francinaldo declarar que não pretendia mais contratar artistas contrários ao bolsonarismo, provocando críticas sobre uma possível discriminação política na programação do pré-carnaval.
Diante da repercussão, o dirigente amenizou o discurso e afirmou que suas restrições se aplicariam apenas aos eventos particulares que organiza como empresário. Ele também ressaltou que, na condição de presidente da Via Folia, não interfere nas contratações realizadas individualmente pelos blocos.
Apesar da explicação, Guga Moov Jampa manteve a cobrança pela substituição do presidente da associação, defendendo que a organização do pré-carnaval esteja acima de divergências partidárias.