A médica Mirna Nóia, ex-primeira-dama de Patos e esposa do ex-prefeito Dinaldinho Wanderley, pediu desculpas publicamente após a repercussão de postagens nas quais questionou o resultado das eleições presidenciais, defendeu uma intervenção dos Estados Unidos no Brasil e apareceu usando um boné com uma expressão ofensiva à primeira-dama Janja Lula da Silva.
A controvérsia ganhou destaque nesta quarta-feira (28), durante o programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, quando o correspondente Ray Santana apresentou os desdobramentos do episódio e a reação de representantes políticos do município sertanejo.
Segundo o correspondente, Mirna utilizou as redes sociais do presidente norte-americano Donald Trump para afirmar que as eleições brasileiras teriam sido fraudadas e solicitar ajuda externa. A acusação não foi acompanhada de provas.
A repercussão aumentou com a circulação de uma fotografia na qual a ex-primeira-dama aparece usando um boné com a frase em inglês “Make Janja a quenga again”, uma referência depreciativa à esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As publicações provocaram críticas nas redes sociais e manifestações de representantes de movimentos de mulheres e de partidos políticos. Entre os que se posicionaram estão o diretório municipal do PCdoB e o ex-prefeito de Patos Lenildo Moraes, atual dirigente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Durante o Senso Crítico, Ray Santana questionou a divulgação de acusações sobre o processo eleitoral sem apresentação de elementos que as sustentem.
“Não basta simplesmente afirmar que houve fraude. É necessário explicar como ela teria ocorrido e apresentar evidências”, declarou.
O correspondente também ressaltou que divergências políticas não justificam ofensas pessoais, especialmente contra mulheres.
Diante da repercussão negativa, Mirna Nóia publicou um vídeo nos stories do Instagram reconhecendo o caráter ofensivo da mensagem e pedindo desculpas à primeira-dama e às mulheres que se sentiram atingidas.
“Eu vim me desculpar por ter usado aquele boné, por ter tirado aquela foto e por ter me expressado de uma forma como não deveria. Foi uma brincadeira de muito mau gosto”, afirmou.
Na retratação, a médica atribuiu sua atitude ao calor das emoções políticas e reconheceu que não deveria ter feito as declarações.
O episódio reacendeu em Patos o debate sobre os limites da liberdade de expressão, a responsabilidade pelas manifestações nas redes sociais e o respeito às mulheres em meio às divergências político-partidárias.