Por Poliana Oliveira
Quando chegamos ao Ministério do Esporte, havia uma constatação importante: não estavam claras quais seriam as marcas capazes de traduzir o legado da gestão do ministro Fufuca.
Havia programas, ações, investimentos e muito trabalho realizado — mas faltava algo essencial em qualquer estratégia pública: narrativa. Faltava organizar o que seria lembrado.
E legado não se constrói no fim.
Se constrói no primeiro dia.
Foi a partir dessa compreensão que tomamos a primeira decisão estratégica: olhar para tudo o que existia e definir, com clareza, quais seriam as três grandes bandeiras capazes de sintetizar o impacto do Ministério.
Mais do que comunicar ações, era preciso dar identidade ao que estava sendo feito.
A primeira delas foi a infraestrutura esportiva.
Rebatizamos o antigo Centro Esportivo Comunitário do Novo PAC, que passou a se chamar Arena Brasil — uma marca simples, forte e com vocação nacional.
Mais do que um equipamento, a Arena Brasil passou a representar uma jornada: do bairro ao pódio.
A segunda bandeira foi a inclusão.
Estruturamos e fortalecemos o TEAtivo, dando forma e sentido a uma iniciativa que carrega um valor essencial: nenhuma criança fica pra trás.
O programa se expandiu por todas as capitais do Norte e Nordeste, ganhou reconhecimento internacional e passou a inspirar políticas públicas em outros países.
A terceira frente veio com um olhar de futuro — e de oportunidade histórica: a Copa do Mundo Feminina FIFA 2027.
Mais do que um evento esportivo, ela foi tratada como plataforma narrativa.
Criamos o conceito: “No Brasil, elas fazem história dentro e fora de campo”, abrindo espaço para contar as histórias de mulheres que transformam o país todos os dias — nas arquibancadas, nos bastidores, nas comunidades e nos gramados.
Três frentes. Três mensagens. Uma direção clara.
Chegamos a abril de 2026 com uma gestão reconhecida não apenas pelos feitos, mas pela forma como esses feitos foram organizados, nomeados e comunicados. Com um porta voz seguro, sabendo que a linha narrativa usada tem força, lastro e sustentação.
Assim, conseguimos o grande resultado: uma gestão que fez muito, sendo vista e reconhecida por todos, por fazer muito.
E quem trabalha com comunicação há muitos anos sabe que esse é um dos maiores desafios.
Porque comunicar não é apenas divulgar.
É dar sentido.
É criar memória.
É transformar ação em legado.
E talvez essa seja a principal lição:
trabalhar a comunicação a partir da pergunta “o que vai ficar?” não é um detalhe — é estratégia.
Poliana Oliveira
Chefe da Assessoria de Comunicação do Ministério do Esporte