Paraíba, segunda, 23 de março de 2026

Michelle Bolsonaro busca Moraes após parecer favorável à prisão domiciliar de BolsonaroBrasil

Encontro ocorre horas depois de manifestação da PGR que aponta risco à saúde do ex-presidente e defende medida humanitária.

Em meio ao avanço de argumentos médicos e jurídicos, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se reúne nesta segunda-feira (23) com o ministro do STF, Alexandre de Moraes, para reforçar o pedido de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, após parecer da Procuradoria-Geral da República favorável à medida.

O encontro, previsto para as 17h, ocorre poucas horas depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) defender a concessão da prisão domiciliar, citando risco iminente à saúde de Jair Bolsonaro. A manifestação foi assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão na Papudinha, em Brasília, após condenação por tentativa de golpe de Estado. No último dia 13 de março, o ex-presidente foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular da capital, diagnosticado com pneumonia decorrente de broncoaspiração. A expectativa é de que ele receba alta nos próximos dias.

No parecer encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet argumenta que a prisão domiciliar se sustenta no dever do Estado de garantir a integridade física e moral de pessoas sob sua custódia. Segundo o documento, o quadro clínico do ex-presidente exige cuidados contínuos que, na avaliação do procurador, não podem ser plenamente assegurados no sistema prisional.

A PGR também destaca alertas da equipe médica sobre a possibilidade de novos episódios súbitos de mal-estar, agravados por comorbidades. Desde que foi preso, Bolsonaro já passou por mais de 140 atendimentos médicos na unidade prisional, incluindo monitoramento frequente por profissionais de saúde.

O cenário representa uma mudança relevante em relação à decisão anterior do ministro Alexandre de Moraes. Em março, ele havia negado pedido semelhante, afirmando que a prisão domiciliar é medida excepcional e que, naquele momento, Bolsonaro não preenchia os requisitos legais. O ministro citou, à época, a rotina ativa de visitas do ex-presidente e laudos da Polícia Federal que não indicavam necessidade de internação hospitalar, embora reconhecessem a complexidade do quadro de saúde.

Nos bastidores, a mobilização política também se intensifica. Na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato ao Palácio do Planalto, já havia se reunido com Moraes para tratar do tema.

Agora, a decisão final está nas mãos do Supremo. Caberá a Alexandre de Moraes avaliar se acolhe o parecer da PGR e autoriza a transferência de Bolsonaro para prisão domiciliar — uma medida que pode redefinir não apenas o cumprimento da pena, mas também o ambiente político em torno do ex-presidente.

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