Paraíba, sexta, 20 de março de 2026

TCU é acionado para investigar empréstimo milionário ligado à família de Hugo MottaBrasil

Pedido do Ministério Público levanta suspeitas sobre possível favorecimento em operação de R$ 22 milhões envolvendo banco privado e cunhada do presidente da Câmara

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu a abertura de investigação sobre um empréstimo de aproximadamente R$ 22 milhões concedido pelo Banco Master a uma empresária da Paraíba, cunhada do deputado federal e presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A solicitação acende um alerta sobre possíveis irregularidades e eventual uso indireto de recursos públicos na operação.

O pedido, revelado pela Folha de S.Paulo, requer que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure se houve participação de recursos públicos, concessão de subsídios ou utilização de garantias oficiais no financiamento. Além disso, o Ministério Público quer avaliar a atuação do Banco Central na fiscalização tanto da instituição financeira quanto da operação de crédito.

O empréstimo foi firmado em março de 2024 e teria como finalidade a compra de um terreno com mais de 400 hectares em João Pessoa. A área está destinada a um projeto imobiliário que inclui, entre outros empreendimentos, a instalação de uma fábrica de cimento.

Embora não haja, até o momento, confirmação de uso de recursos públicos, o MPTCU aponta que os indícios levantados justificam a investigação, sobretudo diante da relação familiar entre a beneficiária do crédito e o presidente da Câmara dos Deputados. A preocupação central é a possibilidade de concessão de condições favorecidas.

Na representação, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado solicita que o TCU determine ao Banco Master a preservação integral de todos os documentos relacionados à operação. Também foi requisitado que o Banco Central acompanhe o caso e informe ao tribunal eventuais providências adotadas.

Caso sejam identificadas irregularidades, o Ministério Público pede a responsabilização dos envolvidos e a adoção de medidas para ressarcimento de eventuais prejuízos aos cofres públicos.

Em nota, a empresária Bianca Medeiros afirmou que sua família atua há décadas no setor empresarial na Paraíba e que o empréstimo foi realizado dentro das condições normais de mercado. Segundo ela, o contrato contou com garantias compatíveis com o valor da operação e a escolha do banco seguiu critérios estritamente negociais e operacionais.

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