Paraíba, sexta, 20 de março de 2026

PT centraliza decisões e esvazia autonomia na Paraíba: apoio em 2026 será definido em BrasíliaCampina Grande

Revelação de Fabiano Gomes expõe queda de braço interna e contraria discurso local; direção nacional terá poder para impor alianças — inclusive entre Lucas Ribeiro e Cícero Lucena

A corrida eleitoral de 2026 na Paraíba começou a ser redesenhada — e não por decisão local.

Durante o programa Ô Paraíba Boa desta quinta-feira (19), o apresentador Fabiano Gomes revelou que a palavra final sobre alianças e candidaturas do Partido dos Trabalhadores nos estados ficará concentrada na direção nacional da sigla, em Brasília. A informação tem como base a resolução oficial aprovada pela Executiva Nacional do partido, que estabelece normas complementares para o próximo ciclo eleitoral.

Na prática, o recado é direto: caberá à cúpula nacional decidir quem o PT da Paraíba irá apoiar — seja o vice-governador Lucas Ribeiro ou o prefeito Cícero Lucena. O diretório estadual, nesse cenário, passa a ter papel secundário.

O documento não deixa margem para dúvidas. Ao afirmar que “as táticas estaduais se submetem à tática nacional”, a resolução autoriza a direção nacional a intervir em qualquer momento, inclusive para definir candidaturas, alianças e composições eleitorais nos estados.

Mais do que isso, nenhuma chapa ou coligação poderá ser oficializada sem a homologação da instância nacional — que também poderá alterar ou substituir decisões já tomadas localmente. Na prática, mesmo consensos regionais podem ser revertidos.

A revelação atinge diretamente o discurso da presidente do PT na Paraíba, Cida Ramos, que vinha defendendo a autonomia do diretório estadual nas decisões sobre alianças. Com a nova diretriz, essa autonomia fica formalmente subordinada à estratégia nacional da legenda.

Nos bastidores, o movimento é interpretado como uma centralização de poder que pode intensificar tensões internas e redesenhar alianças de forma inesperada. Em um estado onde o tabuleiro político já é complexo, a decisão de Brasília pode pesar mais do que qualquer articulação local.

E, em ano pré-eleitoral, isso raramente passa sem consequências.

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