O que mais chama atenção no Rio Grande do Norte não é o fato em si — é o pânico. Parte da classe política e alguns setores do jornalismo parecem ter desenvolvido alergia eleitoral ao nome de Allyson Bezerra. Todo dia surge uma “denúncia”, um alarde, uma tentativa de transformar vento em vendaval.
A bola da vez? O escândalo do dinheiro encontrado na casa de um secretário. Cinquenta e sete mil reais em espécie. A narrativa foi construída como se fosse a descoberta do século. O detalhe que fazem questão de deixar fora do roteiro é simples: o secretário não vive apenas do salário público. Ele possui outras atividades, renda declarada e patrimônio compatível. Não há ilegalidade apontada, não há investigação que comprove irregularidade, mas há manchetes sugerindo o que os fatos não sustentam.
Curioso é como o critério muda conforme o personagem. Quando não se gosta do prefeito, qualquer situação vira insinuação. Quando o alvo é outro, a presunção de inocência aparece como mantra sagrado.
No fundo, o incômodo parece ser outro: Allyson Bezerra segue forte nas ruas, mantém capital político e não demonstra sinais de desgaste popular. E isso, para quem esperava vê-lo acuado, é um problema bem maior do que 57 mil reais guardados dentro de casa.





