Depósitos começaram só depois de ação judicial, enquanto Prefeitura tenta atribuir atraso a “articulação política” em Brasília.
A Secretaria de Saúde de Campina Grande informou apenas nesta quinta-feira (6) que iniciou o pagamento dos salários de setembro aos servidores contratados — dois meses após o vencimento e somente depois de ser alvo de ação do Ministério Público da Paraíba, que cobrou na Justiça a regularização da folha.
No mesmo comunicado, a gestão afirmou que também efetuaria o pagamento referente a outubro para servidores efetivos e comissionados, sugerindo uma normalidade que não condiz com a realidade dos prestadores de serviço, que vêm denunciando atrasos sucessivos desde o início do ano.
A resposta da Prefeitura tenta transformar um problema administrativo em conquista política: segundo o secretário de Saúde, Dunga Júnior, a liberação dos recursos teria ocorrido graças a uma “articulação” do prefeito Bruno Cunha Lima em Brasília, com apoio dos senadores Efraim Filho e Veneziano Vital do Rêgo. O discurso, no entanto, ignora o fato de que o pagamento de salários não é favor, mas obrigação legal.
Ficam sem resposta questões centrais:
• Por que os salários atrasaram?
• Por que só foram pagos após judicialização?
• E por que a gestão usa recursos públicos como moeda de propaganda política, enquanto profissionais seguem meses sem receber?
A Prefeitura comemora o depósito como se fosse gesto de boa vontade. Para os trabalhadores que dependeram de empréstimos, atrasaram contas e comprometeram sustento, o anúncio chega tarde — e sem qualquer garantia de que o problema não se repetirá.





