Deputado agradece citação como possível nome para chapa de 2026, mas mantém estratégia consagrada: adiar decisões e não se comprometer enquanto o jogo político está indefinido.
O deputado federal Romero Rodrigues (Podemos) voltou a demonstrar seu estilo político característico: cauteloso, calculado e, como muitos aliados admitem em reserva, “escorregadio” sempre que há o risco de ficar sem mandato. Durante a Festa do Artesanato em Lagoa Seca, nesta sexta-feira (5), Romero comentou com entusiasmo comedido o fato de ter sido lembrado pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), como possível nome para compor a chapa majoritária da oposição em 2026. Mas parou por aí.
“Eu agradeço a lembrança do prefeito Cícero. Tenho por ele uma relação de apreço e admiração, assim como tenho pelo senador Efraim Filho”, disse Romero, evitando qualquer sinal de que possa disputar o governo ou a vice. A postura é velha conhecida: como em outras eleições, ele prefere observar o cenário de longe, esperando que as águas políticas se acalmem antes de dar qualquer passo concreto.
Apesar da negativa em assumir uma pré-candidatura, Romero afirmou que se sente “feliz e lisonjeado” por ser lembrado nas articulações que começam a se formar. Ressaltou ainda que sua prioridade é trabalhar por uma oposição unida. “Se estivermos unificados, podemos até ganhar no primeiro turno”, declarou.
Nos bastidores, interlocutores políticos apontam que Romero ressurge no debate sempre que é lembrado por figuras de peso, mas raramente toma iniciativa. Sua hesitação tem sido constante em momentos decisivos, o que reforça a avaliação de que ele se move mais por instinto de sobrevivência do que por projeto de liderança.
Ao lado de nomes como Efraim Filho, que já se lança ao protagonismo oposicionista, Romero tenta ocupar um espaço de articulação, mas sem se expor. A recusa em assumir riscos ou posicionamentos mais firmes alimenta críticas sobre sua falta de ousadia, especialmente entre lideranças que desejam clareza e definição para a construção da chapa de 2026.
A fala de Romero em Lagoa Seca soa como déjà-vu para quem acompanha a política paraibana: uma celebração cautelosa do reconhecimento, acompanhada de um apelo à união e um alerta contra precipitações. Mas enquanto nomes se consolidam e alianças se firmam, o deputado segue no jogo de sempre — pronto para aparecer, mas ainda mais preparado para não se comprometer. A dúvida que fica é: até quando essa estratégia de neutralidade garantirá espaço no tabuleiro?





