Paraíba, sábado, 21 de março de 2026

Federação nas mãos dos Ribeiro expõe regra dura da política: poder atrai poder — e isola EfraimClauber Beserra

Com controle consolidado na Paraíba, Aguinaldo Ribeiro impõe derrota estratégica ao senador Efraim Filho e redesenha o tabuleiro para 2026.

A política paraibana deu, nesta semana, mais uma demonstração de uma de suas regras mais antigas — e implacáveis: o poder não apenas se exerce, ele se acumula. E, quase sempre, escolhe seus próprios aliados.

O controle da federação partidária na Paraíba, assegurado pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP), é mais do que um movimento de bastidor. Trata-se de uma jogada de alto impacto que, na prática, representa um xeque-mate político sobre o senador Efraim Filho (União Brasil).

Conhecido pela habilidade em articulação, Aguinaldo operou com precisão. Enquanto o imaginário popular ainda coloca o cargo de senador como superior ao de deputado federal, a realidade mostrou outra coisa: mandato, sozinho, não garante força. O que pesa é a capacidade de articulação, estrutura e entrega política.

E, nesse momento, poucos grupos têm tanto a oferecer quanto os Ribeiro.

A equação é simples — e poderosa. A partir de 2 de abril, Lucas Ribeiro assume o comando do Estado, ampliando o alcance institucional da família. Aguinaldo, por sua vez, chega fortalecido para uma provável reeleição à Câmara Federal, sustentado por base política consolidada, capilaridade e recursos.

Do outro lado, Efraim Filho vive um cenário mais instável. Mesmo com quatro anos restantes de mandato no Senado, não consegue converter posição institucional em densidade eleitoral. Sua trajetória recente também levanta questionamentos: de um passado ligado a setores mais à esquerda — quando esteve na chapa com Estela Bezerra (PT) — a uma guinada para a direita, hoje alinhado a nomes como Marcelo Queiroga, Nilvan Ferreira e Cabo Gilberto Silva.

A tentativa de fortalecer sua chapa com o convite a Juliana Cunha Lima, ligada ao grupo do prefeito Bruno Cunha Lima, também não produziu, até aqui, o efeito político esperado.

Enquanto isso, possíveis aliados não demonstram força suficiente para alterar o cenário. O ex-ministro Marcelo Queiroga, por exemplo, ainda não se apresenta como uma ameaça real na disputa ao Senado.

A perda de controle da federação não é apenas um revés para Efraim Filho — é um sintoma de isolamento político. Em um jogo onde alianças valem tanto quanto votos, ficar fora do eixo de poder pode ser decisivo.

Se a política fosse uma corrida espacial, como já brincou Elon Musk ao mostrar que até foguetes podem dar ré, o cenário atual sugere algo ainda mais duro: há candidaturas que sequer conseguem sair da base de lançamento.

E, neste momento, o foguete de Efraim parece que não está conseguindo decolar.

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