O ex-deputado federal Julian Lemos voltou a fazer críticas contundentes ao senador Flávio Bolsonaro durante passagem pela Paraíba, neste domingo. Ao comentar o cenário político nacional, ele classificou o parlamentar como “um personagem político” e afirmou que há indícios que, segundo sua avaliação, comprometem sua imagem pública.
Entre os pontos levantados, Julian citou o caso das “rachadinhas”, que já foi alvo de investigações, e voltou a questionar a aquisição de uma mansão em Brasília, episódio que ganhou ampla repercussão nacional.
De acordo com o ex-parlamentar, há inconsistências que, na sua visão, não foram devidamente esclarecidas. Ele menciona o fato de o imóvel ter sido registrado fora do Distrito Federal, o que, segundo ele, teria reduzido a visibilidade da transação, além do valor declarado considerado abaixo do mercado à época.
Julian também destacou o modelo de financiamento do imóvel. Segundo ele, a mansão foi adquirida com previsão de pagamento em cerca de 25 anos, mas teria sido quitada em menos de dois — um intervalo que, na avaliação do ex-deputado, não seria compatível com os rendimentos de um senador.
Outro ponto enfatizado por Julian diz respeito à justificativa apresentada publicamente por Flávio Bolsonaro, de que utilizaria rendimentos da advocacia para arcar com o imóvel. O ex-deputado afirma que não há registros, nas bases públicas de tribunais, de atuação do senador como patrono em processos judiciais — o que, segundo ele, enfraqueceria essa explicação.
Durante a entrevista, Julian também relembrou seu rompimento com a família Bolsonaro, ocorrido ainda durante seu mandato. Ele afirmou que o afastamento foi gradual e motivado por divergências profundas, tanto políticas quanto pessoais.
Entre elas, destacou frustrações relacionadas ao combate à pedofilia, pauta que afirma defender há anos. Segundo o ex-parlamentar, a percepção de falta de prioridade ao tema por parte do então presidente Jair Bolsonaro foi uma das principais razões de seu distanciamento — e uma das maiores decepções que carrega até hoje.