O Rio Grande do Norte aparece na última posição do ranking nacional de alfabetização infantil e escancara um problema estrutural com efeitos duradouros. Dados do Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) em março de 2026, mostram que apenas 48% das crianças da rede pública estão alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental. Isso significa que mais da metade dos alunos não aprende a ler no tempo adequado — um atraso que tende a se acumular ao longo de toda a vida escolar.
A alfabetização é considerada uma das etapas mais decisivas da educação básica. Quando ela não ocorre na idade certa, aumentam significativamente as chances de baixo desempenho acadêmico, repetência e evasão escolar. No longo prazo, os impactos vão além da escola: jovens com deficiência na leitura enfrentam mais dificuldades de inserção no mercado de trabalho, têm menor renda e menos oportunidades.
O cenário do Rio Grande do Norte é ainda mais preocupante quando comparado à média nacional, de 66%, e ao desempenho de estados como o Ceará, líder do ranking com 84% de crianças alfabetizadas na idade adequada.
A realidade expõe sinais claros de ineficiência das políticas públicas voltadas à alfabetização no estado. Governado há dois mandatos sob a gestão da governadora Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte apresenta um desempenho que indica falhas na condução de estratégias educacionais voltadas à base do ensino. Especialistas apontam que a baixa efetividade de programas de alfabetização, aliada a desafios na gestão e implementação de políticas, contribui para os resultados abaixo da média nacional.
Embora fatores socioeconômicos também influenciem o desempenho educacional, o indicador reforça a necessidade urgente de revisão das ações do governo estadual, especialmente na fase mais crítica da formação escolar.
O contraste entre os estados evidencia uma profunda desigualdade no acesso à alfabetização de qualidade no Brasil. Enquanto o Rio Grande do Norte ocupa a última colocação, unidades como Ceará (84%), Goiás (80%) e Paraná (80%) apresentam resultados significativamente superiores.
A diferença de 36 pontos percentuais entre o melhor e o pior desempenho mostra que o país ainda está longe de garantir equidade educacional — e que, em alguns estados, o atraso começa já nos primeiros anos de aprendizagem.