Com o julgamento suspenso no TRE‑PB, o município volta a viver o trauma de possível cassação de prefeito e vice. Indícios de que cargos foram indicados por chefe de facção reforçam clima de instabilidade e alerta institucional.
O julgamento da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pode cassar os mandatos do prefeito de Cabedelo, André Coutinho, da vice-prefeita Camila Holanda e do vereador Márcio Silva foi suspenso nesta quinta-feira (30) após pedido de vista do desembargador Aluízio Bezerra, no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). A AIJE também declarou inelegível o ex-prefeito Vitor Hugo Castelliano.
Bezerra alegou ter sido recentemente convocado para compor o pleno do TRE e, diante do volume processual — com milhares de páginas —, solicitou mais tempo para análise. A interrupção do julgamento ocorreu ainda na fase das preliminares, após o relator do processo, juiz Kéops Vasconcelos, rejeitar duas teses da defesa: cerceamento de defesa e imprestabilidade das provas.
A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), representada pelo procurador Renan Paes Félix, manifestou-se pela manutenção da sentença de primeiro grau, que condenou os envolvidos por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024. Para o Ministério Público, há provas robustas de práticas ilícitas que afetaram a lisura do pleito, incluindo uso da máquina pública, compra de votos e estrutura criminosa.
Durante sua fala, o procurador citou a gravidade dos fatos e alertou: “Se permitirmos alianças entre gestores e traficantes, poderemos ter a mexicanização do país.” A declaração ecoa investigações da Polícia Civil da Paraíba e do Gaeco, que apontam fortes indícios de que cargos na prefeitura de Cabedelo teriam sido indicados por um líder local de facção — preso recentemente no Rio de Janeiro, durante operação contra o Comando Vermelho.
Um município entre a espera e o risco
A suspensão do julgamento aprofunda a sensação de paralisia institucional em Cabedelo. Sem uma definição sobre o futuro político da cidade, a população vive um déjà-vu de incerteza — semelhante ao trauma da Operação Xeque-Mate, que já havia levado à cassação de gestores anteriores.
O que vem a seguir
O julgamento deve ser retomado em breve, mas ainda sem data definida. O desembargador Aluízio Bezerra já adiantou que pretende usar todo o prazo regimental para analisar o caso. Enquanto isso, a cidade segue à espera, com sua governabilidade sob pressão e sob o olhar atento do Ministério Público e da opinião pública.
O que está em jogo
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A estabilidade política de um dos municípios mais estratégicos da Grande João Pessoa;
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A preservação da legitimidade das eleições de 2024, vencidas por André Coutinho com mais de 66% dos votos;
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O fortalecimento ou o enfraquecimento de estruturas paralelas de poder, com possíveis ligações com o tráfico.





