Comemoração virou crise: um ano depois da vitória nas urnas, cidade enfrenta escândalos, decisões judiciais e incerteza sobre quem fica no poder.
Cabedelo vive hoje um dos momentos mais conturbados de sua história recente. Justo no dia em que completa um ano da vitória da chapa do prefeito André Coutinho (Avante) nas urnas, a cidade se vê mergulhada em uma crise que atinge em cheio o comando político local. A Justiça Eleitoral cassou os mandatos do prefeito, da vice-prefeita Camila Holanda e de um vereador, por abuso de poder e compra de votos durante a campanha de 2024. O caso envolve desde distribuição de cestas básicas e promessas de emprego até repasses via PIX e suspeita de envolvimento com facções.
Apesar da sentença já ter sido assinada pela juíza Thana Michelle, a decisão ainda não foi colocada em prática porque o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) precisa se manifestar sobre os recursos apresentados. Até lá, o prefeito segue no cargo, mas com a legitimidade abalada e sob forte pressão política.
Como se não bastasse, a Câmara Municipal também está na corda bamba. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) investiga uma série de contratos feitos sem licitação — ou com justificativas frágeis — que envolvem valores altos. Só para manter a limpeza da nova sede da Câmara, foi fechado um contrato de R$ 846 mil. Além disso, há gastos anuais de mais de R$ 550 mil com consultorias jurídicas que, segundo o TCE, não comprovaram a experiência exigida por lei.
Tudo isso acontece em meio à frustração da população, que há um ano comemorava nas ruas o resultado das urnas. Hoje, o sentimento é de incerteza. Cabedelo está sem rumo claro: o prefeito pode cair a qualquer momento, a Câmara está sob suspeita e, se novas eleições forem convocadas, o cenário político deve ser totalmente reconfigurado.





