Flertar com o PL pode custar caro: Efraim arrisca apoio crucial ao mirar o bolsonarismo na Paraíba

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Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) realiza reunião deliberativa para discussão e votação de propostas legislativas. Mesa: presidente da CMO, senador Efraim Filho (União-PB) - em pronunciamento. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Senador evita cravar filiação ao PL antes de decisão do TSE, mas sinaliza distanciamento do governo Lula e aproximação de um campo que pode mais enfraquecer que fortalecer sua pré-candidatura ao governo estadual.

A aproximação do senador Efraim Filho (União Brasil) com o Partido Liberal (PL) reacendeu especulações sobre uma possível mudança partidária que pode redesenhar o tabuleiro político da Paraíba. Embora tenha recebido um convite público para ingressar no PL, o parlamentar desconversou, afirmando que só tomará qualquer decisão após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgar a criação da federação entre União Brasil e Progressistas.

“Convite houve, foi público, inclusive repercutido pelo PL da Paraíba. Mas migração é hipótese que não tratei. Sigo no União Brasil, na federação, e vou aguardar a definição do TSE. Só depois disso cuidarei do meu futuro partidário”, disse Efraim em entrevista à Rádio Liga FM, em João Pessoa.

A hesitação ocorre em meio à formalização da federação União Progressista no TSE — que, se aprovada, unirá União Brasil e PP em um bloco robusto. No entanto, na Paraíba, a composição enfrenta entraves com a pré-candidatura de Lucas Ribeiro (PP), aliado do PT, partido que Efraim faz questão de manter distância, especialmente após seu rompimento com o governo federal.

Nos bastidores, a crescente sintonia de Efraim com o bolsonarismo se intensificou desde julho, quando recebeu Michelle Bolsonaro em João Pessoa para um ato político. Na ocasião, a ex-primeira-dama lançou Marcelo Queiroga como pré-candidato ao Senado e elogiou Efraim, que chegou a colocar à disposição cargos de seu grupo no Governo Federal, oficializando o afastamento do presidente Lula.

Em agosto, o movimento ganhou contornos mais concretos com o anúncio de uma aliança entre Efraim e dirigentes do PL visando as eleições de 2026, reforçando o projeto de união da oposição no estado.

Apesar do discurso cauteloso, o caminho ao lado do PL e do bolsonarismo pode representar mais riscos do que ganhos para Efraim. Analistas políticos alertam que, ao se associar a uma sigla com forte rejeição em parte do eleitorado paraibano e ao romper com grupos aliados a Lula — ainda majoritários no estado —, o senador corre o risco de perder apoios valiosos para sua pré-candidatura ao governo da Paraíba, especialmente no centro e entre prefeitos que hoje compõem sua base.

A escolha de Efraim entre permanecer em uma federação de centro-direita ou embarcar de vez no projeto bolsonarista deve ser decisiva para suas ambições em 2026. Ao manter a cautela, o senador tenta equilibrar interesses regionais e nacionais, mas corre contra o tempo e contra a lógica de um eleitorado cada vez mais polarizado — e menos tolerante com ambiguidades.

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