A decisão de vereadores de Bayeux de votar contra o funcionamento de uma creche que atende cerca de 75 crianças provocou reação imediata — e contundente — da procuradora do município, Danielle Ismael. Em entrevista nesta sexta-feira (24), ela não poupou críticas ao que classificou como falta de sensibilidade e desconexão com a realidade da população.
A unidade, criada por medida provisória em caráter emergencial, já estava em funcionamento, com estrutura pronta e crianças matriculadas — justamente em um bairro que não contava com atendimento para a primeira infância. Ainda assim, foi barrada sob o argumento de ausência de urgência.
“É bastante repudiante. A gente conseguiu não só criar, mas inaugurar uma creche num bairro populoso que não tinha nenhuma instituição. São mais de 75 crianças atendidas, com pais que precisam trabalhar e deixar seus filhos em segurança”, afirmou.
A justificativa apresentada pelos parlamentares foi recebida com ironia pela procuradora, que questionou a lógica da decisão. Para ela, alegar falta de urgência em um serviço voltado a crianças em situação de vulnerabilidade escancara prioridades invertidas. “Como não há urgência em uma creche para essas famílias?”, disparou.
Danielle também atribuiu o movimento a interesses políticos e citou os nomes dos vereadores que votaram contra a medida: Nildo de Inácio, Nildo da Casa Branca, Uil Varela, Pastora Anunciada, Rosiene Sarinho, Marcelo Bandeira, Adriano do Táxi e Eloá Felinto.
A crítica vai além do episódio específico e toca em um ponto recorrente: quando disputas políticas atravessam decisões práticas, quem depende diretamente dos serviços públicos costuma pagar a conta.
No fim, o debate deixa de ser técnico e expõe um contraste difícil de ignorar: de um lado, a formalidade de votos e justificativas; do outro, famílias que continuam precisando decidir, todos os dias, onde deixar seus filhos para conseguir trabalhar.