Paraíba, sábado, 25 de abril de 2026

Creche para 75 crianças vira alvo político em Bayeux e revolta procuradoraClauber Beserra

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Após vereadores barrarem funcionamento da unidade, Danielle Ismael questiona: “não há urgência para quem?”

A decisão de vereadores de Bayeux de votar contra o funcionamento de uma creche que atende cerca de 75 crianças provocou reação imediata — e contundente — da procuradora do município, Danielle Ismael. Em entrevista nesta sexta-feira (24), ela não poupou críticas ao que classificou como falta de sensibilidade e desconexão com a realidade da população.

A unidade, criada por medida provisória em caráter emergencial, já estava em funcionamento, com estrutura pronta e crianças matriculadas — justamente em um bairro que não contava com atendimento para a primeira infância. Ainda assim, foi barrada sob o argumento de ausência de urgência.

“É bastante repudiante. A gente conseguiu não só criar, mas inaugurar uma creche num bairro populoso que não tinha nenhuma instituição. São mais de 75 crianças atendidas, com pais que precisam trabalhar e deixar seus filhos em segurança”, afirmou.

A justificativa apresentada pelos parlamentares foi recebida com ironia pela procuradora, que questionou a lógica da decisão. Para ela, alegar falta de urgência em um serviço voltado a crianças em situação de vulnerabilidade escancara prioridades invertidas. “Como não há urgência em uma creche para essas famílias?”, disparou.

Danielle também atribuiu o movimento a interesses políticos e citou os nomes dos vereadores que votaram contra a medida: Nildo de Inácio, Nildo da Casa Branca, Uil Varela, Pastora Anunciada, Rosiene Sarinho, Marcelo Bandeira, Adriano do Táxi e Eloá Felinto.

A crítica vai além do episódio específico e toca em um ponto recorrente: quando disputas políticas atravessam decisões práticas, quem depende diretamente dos serviços públicos costuma pagar a conta.

No fim, o debate deixa de ser técnico e expõe um contraste difícil de ignorar: de um lado, a formalidade de votos e justificativas; do outro, famílias que continuam precisando decidir, todos os dias, onde deixar seus filhos para conseguir trabalhar.