Paraíba, segunda, 22 de junho de 2026

O nordeste tem memória: A visita de Zema não apaga o passadoClauber Beserra

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Após declarações que muitos nordestinos consideraram preconceituosas, o ex-governador de Minas Gerais desembarca em Campina Grande tentando construir proximidade com uma região que já foi alvo de suas falas xenofóbicas.

Romeu Zema desembarcou em Campina Grande seguindo um roteiro já conhecido de políticos do Sudeste que, em períodos de pré-campanha, percorrem o Nordeste tentando construir uma identificação que muitas vezes não corresponde ao histórico de suas próprias declarações.

Não faz tanto tempo que Zema protagonizou falas que foram amplamente criticadas por nordestinos e por lideranças da região, por reforçarem uma visão preconceituosa sobre o Nordeste e sua importância para o Brasil. Naquele momento, muitos de nós percebemos como ele enxergava nossa região: não como parte essencial da construção nacional, mas sob a lente de estereótipos que há décadas combatemos.

Por isso, sua presença hoje em Campina Grande, uma das maiores referências da cultura nordestina, desperta desconfiança. Vê-lo degustando nossa comida, elogiando nossas tradições e celebrando nossa identidade pode até render boas imagens de campanha, mas não apaga o que foi dito no passado.

O Nordeste tem memória. Temos orgulho da nossa história, da nossa cultura e da nossa contribuição para o país. Não somos massa de manobra, nem eleitorado sem consciência crítica. Respeito não se constrói apenas com visitas protocolares e discursos cuidadosamente planejados; constrói-se com atitudes e posições coerentes ao longo do tempo.

Quem um dia ajudou a disseminar visões que muitos nordestinos consideraram ofensivas não pode esperar que tudo seja esquecido diante de um roteiro eleitoral bem produzido. O povo nordestino merece respeito verdadeiro, e não conveniência política.