Romeu Zema desembarcou em Campina Grande seguindo um roteiro já conhecido de políticos do Sudeste que, em períodos de pré-campanha, percorrem o Nordeste tentando construir uma identificação que muitas vezes não corresponde ao histórico de suas próprias declarações.
Não faz tanto tempo que Zema protagonizou falas que foram amplamente criticadas por nordestinos e por lideranças da região, por reforçarem uma visão preconceituosa sobre o Nordeste e sua importância para o Brasil. Naquele momento, muitos de nós percebemos como ele enxergava nossa região: não como parte essencial da construção nacional, mas sob a lente de estereótipos que há décadas combatemos.
Por isso, sua presença hoje em Campina Grande, uma das maiores referências da cultura nordestina, desperta desconfiança. Vê-lo degustando nossa comida, elogiando nossas tradições e celebrando nossa identidade pode até render boas imagens de campanha, mas não apaga o que foi dito no passado.
O Nordeste tem memória. Temos orgulho da nossa história, da nossa cultura e da nossa contribuição para o país. Não somos massa de manobra, nem eleitorado sem consciência crítica. Respeito não se constrói apenas com visitas protocolares e discursos cuidadosamente planejados; constrói-se com atitudes e posições coerentes ao longo do tempo.
Quem um dia ajudou a disseminar visões que muitos nordestinos consideraram ofensivas não pode esperar que tudo seja esquecido diante de um roteiro eleitoral bem produzido. O povo nordestino merece respeito verdadeiro, e não conveniência política.