O deputado federal paraibano Hugo Motta (Republicanos) recebeu, nesta quarta-feira (14), o respaldo de dez partidos para buscar um novo mandato à frente da Câmara dos Deputados. As legendas, que integram a aliança responsável por sua eleição em 2025, decidiram manter o bloco político e abrir caminho para as negociações da sucessão na Casa, previstas para fevereiro de 2027.
A manifestação foi formalizada por meio de uma nota conjunta assinada por Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade e PRD. Juntas, as siglas elegeram 252 deputados federais, número próximo dos 257 votos necessários para garantir a presidência da Câmara em primeiro turno.
No documento, os partidos defendem a manutenção da aliança construída em torno de Motta e autorizam o parlamentar a iniciar conversas com outras forças políticas em busca de uma candidatura de consenso.
O grupo também reafirma o compromisso com uma Câmara plural, independente e aberta ao diálogo entre diferentes correntes partidárias.
Apesar do tamanho da aliança, o apoio institucional das legendas não assegura automaticamente os votos de todos os integrantes das bancadas. A eleição para a Mesa Diretora ocorre por votação secreta, permitindo que parlamentares adotem posições diferentes das orientações partidárias.
A tentativa de reconduzir Hugo Motta ao comando da Câmara ocorre em meio a divergências envolvendo parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), revelou ter recebido do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) informações sobre a resistência de integrantes do grupo bolsonarista à reeleição de Motta.
Mesmo diante das dificuldades, Pereira demonstrou confiança na possibilidade de construir um entendimento político para viabilizar a candidatura do atual presidente da Câmara.
O posicionamento representa uma mudança em relação à eleição de 2025, quando o PL integrou a ampla coalizão de 18 partidos que garantiu a vitória de Hugo Motta.
A eleição para a presidência da Câmara será realizada em fevereiro de 2027, quando os 513 deputados escolherão o parlamentar responsável por conduzir os trabalhos legislativos no próximo biênio.
Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa conquistar pelo menos 257 votos. Caso nenhum dos concorrentes alcance a maioria absoluta, os dois mais votados disputam uma segunda votação.
Com o apoio anunciado pelos dez partidos, Hugo Motta inicia a articulação política para tentar ampliar sua base e superar eventuais resistências à continuidade de sua gestão.
A definição dependerá das negociações entre as bancadas e da votação dos deputados na eleição interna da Casa.