Na noite de ontem, 28 de abril de 2026, às 20h, a iluminação do Cristo Redentor na cor verde marcou, mais uma vez, o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. A cerimônia reuniu autoridades, representantes institucionais e lideranças da área, entre elas Nivaldo Barbosa, reconhecido como idealizador e um dos principais defensores da campanha Abril Verde no Brasil.
O evento foi promovido pela Procuradoria do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro, CODEMAT (Coordenadoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho e da Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora), entre outras instituições parceiras, e teve como objetivo reforçar a importância da prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Dados reforçam urgência da campanha
O simbolismo do evento ganha ainda mais relevância diante dos números alarmantes no país. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) alerta para o recorde de acidentes de trabalho no Brasil em 2025, com mais de 806 mil casos registrados e 3.644 mortes, cenário impulsionado pelo aumento do emprego formal sem melhorias equivalentes nas condições de segurança.
Entre 2020 e 2025, os acidentes de trabalho cresceram 65,8%, enquanto os óbitos aumentaram 60,8%, evidenciando uma escalada preocupante e a necessidade urgente de fortalecimento das políticas preventivas.
A área da saúde, especialmente os hospitais, concentra atualmente o maior número de acidentes de trabalho no país, enquanto o transporte rodoviário de cargas lidera os índices de mortalidade, revelando a gravidade das condições enfrentadas por esses profissionais.
Regionalmente, as regiões Sul e Sudeste concentram o maior número absoluto de ocorrências, mas Norte e Nordeste apresentam maior letalidade, o que reforça a necessidade de estratégias específicas de fiscalização e prevenção em todo o território nacional.
O MTE, por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), utiliza dados do eSocial e das Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT) para direcionar ações de fiscalização, além de subsidiar o estudo técnico anual sobre segurança e saúde ocupacional.
Em uma análise mais ampla, entre 2012 e 2024, foram contabilizados mais de 8,8 milhões de acidentes e cerca de 32 mil mortes relacionadas ao trabalho formal no país.
Isso significa que, em média, um trabalhador morre a cada 3 horas e meia em decorrência de acidentes laborais.
Além disso, os dados mais recentes apontam uma tendência preocupante de crescimento: os acidentes de trabalho vêm aumentando continuamente desde 2021, reforçando a necessidade urgente de políticas públicas e ações preventivas.
Os dados evidenciam a urgência de ampliar ações de conscientização, fiscalização e promoção de ambientes laborais mais seguros em todos os setores da economia.
Liderança e protagonismo no Abril Verde
A presença de Nivaldo Barbosa na cerimônia reforça o alcance nacional da campanha Abril Verde e o fortalecimento da pauta da saúde do trabalhador no Brasil.
Durante o evento, ele destacou o papel simbólico e social da iniciativa, além de reconhecer os organizadores:
“Estar aqui no Cristo Redentor, diante de um dos maiores símbolos do Brasil iluminado de verde, vai além de uma homenagem — é um verdadeiro chamado à valorização da vida, à responsabilidade coletiva e à prevenção. Aproveito para parabenizar e agradecer ao Ministério Público do Trabalho, à CODEMAT, pelo convite e pela realização deste importante evento, estendendo meu reconhecimento a todos que contribuíram, direta e indiretamente, para tornar este momento possível.”
Sua atuação tem sido marcada pela promoção de ações educativas, mobilização social e disseminação de informações voltadas à prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
Um símbolo que ecoa para todo o país
Considerado um dos maiores ícones do Brasil, o Cristo Redentor se transforma, durante o Abril Verde, em um importante instrumento de conscientização coletiva. A iluminação em verde representa esperança, vida e o compromisso com a segurança no trabalho.
A iniciativa reforça a importância da atuação integrada entre instituições públicas, organizações e sociedade civil na construção de uma cultura de prevenção.