A divulgação de uma carta atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode abrir um novo capítulo no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes deve analisar, ao longo desta semana, se a publicação representa descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-chefe do Executivo, que está em prisão domiciliar e proibido de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
A manifestação foi publicada poucos dias após a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na residência de Bolsonaro, em julho de 2025, no âmbito de uma investigação que apura supostas inconsistências em registros de armas de fogo.
A diligência foi autorizada por Alexandre de Moraes após a Polícia Federal apontar divergências entre armamentos declarados pelo ex-presidente e informações registradas nos sistemas oficiais de controle, como o Sistema Nacional de Armas (Sinarm) e o Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma). Segundo os investigadores, foram identificados indícios de irregularidades na documentação, incluindo possíveis falhas na atualização dos registros e na comunicação da posse das armas.
Durante a operação, agentes apreenderam documentos, aparelhos eletrônicos e ao menos uma arma de fogo que estava sob posse de Bolsonaro. O armamento foi recolhido para verificação da regularidade do registro e eventual realização de perícia técnica, procedimento previsto em investigações dessa natureza.
Na ocasião, a defesa do ex-presidente afirmou que todas as armas estavam devidamente registradas e declarou que colaboraria com as autoridades para esclarecer os fatos.
Embora Alexandre de Moraes tenha mantido a prisão domiciliar já determinada anteriormente, a divulgação da carta por meio do perfil de Flávio Bolsonaro passou a ser analisada pelo STF por envolver uma das restrições impostas ao ex-presidente: a vedação ao uso de redes sociais, ainda que de forma indireta, por intermédio de terceiros.
Caso o ministro entenda que houve descumprimento das medidas cautelares, poderá avaliar a adoção de providências no âmbito do processo. Até o momento, não há decisão sobre o episódio.