Paraíba, quinta, 08 de outubro de 2026

PF encontra arquivos com orientações para Bolsonaro mentir sobre segurança das urnas

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E-mails obtidos revelam estratégias para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro

A Polícia Federal encontrou arquivos do ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, que mostram orientações sobre como o ex-presidente Jair Bolsonaro deveria agir para mentir sobre a segurança das urnas eletrônicas. Os textos foram obtidos a partir da quebra de sigilos de e-mails de Ramagem, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, no contexto da operação sobre a existência de uma “Abin paralela”.

A existência desses arquivos foi revelada pelo jornal O Globo. Segundo as investigações, o conteúdo dos e-mails incluía:

  • Estratégias sobre o que deveria ser dito por Bolsonaro para desacreditar o sistema eleitoral;
  • Palavras a serem usadas para mentir sobre supostas “vulnerabilidades” das urnas;
  • Argumentos falsos para disseminar informações igualmente falsas sobre os sistemas de votação.

Nos arquivos, Ramagem orientava Bolsonaro a afirmar constantemente que as urnas não eram seguras e a abandonar o argumento de anulação de votos, já que, segundo Ramagem, repetir uma única ideia poderia ajudar na absorção das informações (falsas) pelo público.

Ramagem Subsidiou Discurso de Bolsonaro

Os documentos mostram que Ramagem, além das orientações gerais, entregava a Bolsonaro relatórios para “subsidiar” o discurso golpista e tentar descredibilizar o sistema eleitoral. “Por tudo que tenho pesquisado, tenho total certeza de que houve fraude nas eleições de 2018, com a vitória do Sr. Presidente no primeiro turno. Todavia [fraude] ocorrida na alteração de votos”, diz um trecho do material de Ramagem.

É importante destacar que o sistema eleitoral brasileiro, como já foi comprovado em diversas ocasiões, é auditável em todas as suas etapas, desde a preparação das urnas até a divulgação dos resultados. Os resultados das eleições de 2018 e 2022 foram monitorados e validados por observadores nacionais e internacionais, e nenhuma contestação, nessas e em votações anteriores, foi acompanhada de provas.