Paraíba, quinta, 17 de setembro de 2026

Desembargador se declara suspeito e deixa julgamento sobre retorno de Edvaldo Neto à Prefeitura de Cabedelo

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Leandro dos Santos não revelou os motivos da suspeição; análise dos recursos no TJPB foi novamente interrompida após pedido de vista de Aluízio Bezerra.

O desembargador Leandro dos Santos se declarou suspeito e deixou de participar do julgamento que analisa a possibilidade de Edvaldo Neto (Avante) retornar ao comando da Prefeitura de Cabedelo. A decisão foi comunicada nesta quarta-feira (16), durante sessão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), antes de um novo pedido de vista interromper a análise dos recursos.

O magistrado apresentou uma questão de ordem para formalizar sua suspeição, mas não explicou os motivos do afastamento. Com isso, deixou de atuar na análise do processo, que reúne recursos de investigados na Operação Cítrico.

Na mesma sessão, o desembargador Aluízio Bezerra pediu vista dos autos, provocando mais um adiamento do julgamento. Ainda não há informação sobre a data em que o processo voltará à pauta.

Antes da interrupção, o colegiado havia avançado na análise de questões preliminares apresentadas pelas defesas. Uma delas contestava a competência da Justiça comum para julgar o caso. O relator rejeitou o questionamento e foi acompanhado por outros integrantes do tribunal.

Além de Edvaldo Neto, o processo envolve recursos apresentados pelo ex-secretário de Gestão Governamental de João Pessoa Rougger Guerra, pelos empresários Luciano Júnior da Silva e Aldecir Monteiro da Silva, ligados ao grupo Lemon, e pelo ex-procurador-geral de Cabedelo Diego Carvalho Martins.

Operação Cítrico investiga contratos de até R$ 270 milhões

Edvaldo Neto foi afastado da Prefeitura de Cabedelo no âmbito da Operação Cítrico, investigação que apura suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de organização criminosa.

Segundo a investigação, contratos firmados pela Prefeitura com empresas fornecedoras de mão de obra teriam sido utilizados em um esquema envolvendo agentes públicos, empresários e integrantes da facção Tropa do Amigão, apontada como ligada ao Comando Vermelho.

A Polícia Federal também investiga a possível utilização de recursos públicos para beneficiar integrantes do grupo criminoso e a suspeita de que contratos administrativos tenham servido para sustentar influência política e territorial.

Os contratos sob investigação podem alcançar R$ 270 milhões, conforme a apuração.

As suspeitas investigadas não representam condenação dos envolvidos. O julgamento dos recursos no TJPB deverá ser retomado após a devolução do processo pelo desembargador Aluízio Bezerra.