Paraíba, terça, 14 de abril de 2026

PF, Gaeco e CGU fazem operação em Cabedelo, afastam prefeito e apuram esquema de até R$ 270 milhõesCabedelo

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Operação Cítrico investiga fraudes em licitações, desvio de recursos, lavagem de dinheiro e suposta ligação entre contratos públicos e facção criminosa na cidade.

Uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público da Paraíba (por meio do Gaeco) e da Controladoria-Geral da União provocou um abalo político imediato em Cabedelo nesta terça-feira (14). Batizada de Operação Cítrico, a ação resultou no afastamento do prefeito Edvaldo Neto (Avante), eleito há apenas dois dias, em eleição suplementar realizada no último domingo (12).

Ao todo, estão sendo cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, além de outras medidas cautelares contra agentes públicos e investigados. As decisões foram autorizadas pela Justiça com o objetivo de aprofundar a coleta de provas e impedir a continuidade das condutas sob suspeita.

No centro da investigação está um suposto esquema envolvendo fraude em licitações, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, com indícios de ligação com o crime organizado. Segundo as apurações, empresas contratadas pela Prefeitura para fornecimento de mão de obra teriam sido utilizadas como instrumento para favorecer uma facção criminosa com atuação no município.

Os investigadores apontam que essas empresas estariam ligadas à “Tropa do Amigão”, grupo apontado como braço do Comando Vermelho, e que integrantes da organização teriam sido inseridos na estrutura da administração municipal. A suspeita é de que contratos públicos tenham servido não apenas para desvio de recursos, mas também para sustentar influência política, controle territorial e proteção institucional.

Ainda de acordo com a investigação, o esquema envolveria um consórcio entre agentes políticos, empresários e integrantes da organização criminosa, com foco na manutenção de contratos milionários e distribuição de vantagens indevidas. O volume financeiro sob análise pode chegar a R$ 270 milhões.

A eleição de Edvaldo Neto ocorreu após a cassação do ex-prefeito André Coutinho e da vice-prefeita Camila Holanda, decisão motivada por irregularidades no pleito anterior.