O presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, José Pereira, deve assumir interinamente a Prefeitura após o afastamento do prefeito eleito Edvaldo Neto (Avante), atingido pela Operação Cítrico, deflagrada nesta terça-feira (14) pela Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público da Paraíba (Gaeco) e a Controladoria-Geral da União (CGU).
A medida judicial recoloca José Pereira no centro do comando administrativo da cidade portuária em um momento de forte instabilidade política. Ele deve permanecer à frente do Executivo até a diplomação do vice-prefeito eleito, Evilásio Cavalcanti, prevista para o dia 25 de maio — ou até novos desdobramentos das investigações.
A operação teve como alvo 13 pessoas, entre agentes públicos, advogados e empresários, suspeitos de integrar um esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de organização criminosa com atuação em Cabedelo.
Edvaldo Neto, eleito no último domingo (12) em eleição suplementar, foi afastado do cargo por decisão judicial no âmbito da investigação.
Suposto esquema sob investigação
De acordo com as apurações, o grupo investigado teria utilizado a contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra para viabilizar a entrada de integrantes da facção criminosa “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho, dentro da estrutura da Prefeitura de Cabedelo.
A suspeita é de que recursos públicos tenham sido desviados para abastecer o crime organizado, enquanto contratos administrativos seriam usados como ferramenta de manutenção de poder político, influência territorial e blindagem institucional.