O ex-deputado federal Julian Lemos, que rompeu politicamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, fez uma avaliação contundente sobre os bastidores da direita brasileira durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, nesta segunda-feira (13). Segundo ele, a família Bolsonaro prefere manter sob seu controle o capital político construído pelo ex-presidente, mesmo que isso signifique assistir a uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.
“Hoje a família Bolsonaro prefere que Lula vença do que passar o espólio para qualquer pessoa, inclusive Michelle. Bolsonaro prefere que Lula vença do que passar o espólio dele para um Caiado, para um Zema e para Michelle”, afirmou.
Na entrevista, Julian também avaliou que uma eventual candidatura de Michelle Bolsonaro representaria um risco para a estratégia da família. Na visão do ex-deputado, uma vitória da ex-primeira-dama consolidaria uma nova liderança na direita, reduzindo a influência política de Jair Bolsonaro e de seus filhos.
“Caso Michelle fosse eleita, nenhum dos filhos faria o que fizeram no governo do pai. Flávio operou 24 horas por dia. Flávio é um homem milionário. Eu estou botando Flávio perto dos 600, 700 milhões de reais, e o Eduardo no mínimo com 150 nos Estados Unidos”, declarou.
Ao comentar o futuro do grupo bolsonarista, o ex-parlamentar afirmou acreditar que o objetivo é preservar esse patrimônio político para uma eventual volta do ex-presidente ou de alguém diretamente ligado à família.
“Lula só tem uma chance de vencer. Ele não tem mais idade para isso. Quatro anos passam muito rápido. Se esse espólio ficar guardado e não passar para ninguém, eles podem buscá-lo depois. Caso vá para Michelle, ela se torna a liderança e não devolve mais. Dilma, quando Lula quis voltar, disse que tinha direito à reeleição. Foi o maior erro”, concluiu.