Por Lucas Duarte – Fonte83
O senador paraibano Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) comemorou, nesta quinta-feira (15), a aprovação no Senado Federal da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e defendeu que a mudança representa um avanço nas condições de vida dos trabalhadores brasileiros. Durante entrevista ao programa Senso Crítico, da FGTV e MRTV, apresentado pelo jornalista Klauber Beserra, o parlamentar rebateu críticas sobre possíveis prejuízos à economia e destacou os efeitos do descanso na saúde e na convivência familiar.
Ao comentar a proposta, Veneziano comparou a medida a outros marcos da legislação trabalhista brasileira, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Constituição Federal de 1988. Para o senador, a aprovação se soma às conquistas históricas dos trabalhadores ao estabelecer condições mais dignas para quem enfrenta rotinas intensas de trabalho.
“Você tem que sair já de madrugada para pegar o ônibus, tem que passar duas, três horas para ir. Ou seja, você já consome parte do seu dia. Tem que voltar para casa passando as mesmas duas, três, quatro horas, às vezes até mais, com o fluxo nos grandes centros”, afirmou. Segundo ele, o desgaste da jornada não se limita às horas cumpridas no ambiente profissional, mas também envolve o tempo gasto nos deslocamentos diários.
O senador também ressaltou que a ampliação do descanso pode permitir mais convivência entre pais e filhos, além de abrir espaço para atividades esportivas, culturais e de lazer. “É dignidade. E os reflexos disso não há como desconhecer. Os próprios estudos e levantamentos dos organismos internacionais dizem: você melhora a cabeça, melhora a saúde mental, melhora a saúde física, você produz melhor”, declarou Veneziano, ao defender os benefícios da proposta.
A declaração ocorre após o Senado aprovar, na quarta-feira (14), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê dois dias de descanso semanal, sem redução salarial, e uma transição para a jornada de 40 horas semanais. A matéria recebeu 75 votos favoráveis e um contrário, do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Veneziano afirmou ainda que a regulamentação deverá considerar as particularidades de determinadas profissões. “Não vai quebrar o Brasil”, disse, ao defender a elaboração de leis complementares para contemplar atividades com regimes específicos de trabalho.