Paraíba, quarta, 28 de outubro de 2026

Após dizer que não contrataria artistas antibolsonaristas, presidente da Via Folia ameniza discurso; evento recebe dinheiro público

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Francinaldo Bandeira recuou no tom das declarações após repercussão negativa e passou a afirmar que suas restrições políticas valeriam apenas para eventos particulares.

Um dia depois de anunciar que não voltaria a contratar artistas contrários ao bolsonarismo, o presidente da Associação Pré-Carnavalesca Via Folia, Francinaldo Bandeira, amenizou o discurso e negou a existência de veto político às atrações do Carnaval de João Pessoa. A mudança de tom ocorreu nesta terça-feira (27), após a repercussão das declarações e críticas sobre o uso de preferências partidárias na organização de uma festa que recebe recursos públicos.

Na segunda-feira (26), um dia após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial, Francinaldo havia afirmado que não pretendia mais trabalhar com artistas identificados com o petismo ou contrários ao bolsonarismo.

“Esses artistas que são anti-Bolsonaro não se preocupem, eu nunca mais contrato vocês. Eu nunca mais quero fazer nenhum trabalho com vocês”, declarou na ocasião.

A manifestação provocou questionamentos sobre a possibilidade de discriminação política na escolha das atrações do pré-carnaval da capital paraibana.

Nesta terça-feira, durante entrevista ao programa Ô Paraíba Boa, da FM 100,5, o dirigente adotou uma posição diferente. Francinaldo afirmou que não possui autoridade para impedir a contratação de artistas pelos blocos que integram a Via Folia e procurou separar suas decisões empresariais das responsabilidades exercidas à frente da associação.

“Eu sou presidente da Via Folia, não dos blocos”, justificou.

Apesar da mudança de discurso, manteve a posição de que poderá excluir artistas de seus eventos particulares conforme suas preferências.

“Eu não vou chamar quem espuma de raiva pela boca. Eu vou chamar quem eu quiser”, afirmou.

Via Folia recebeu R$ 1 milhão do Governo da Paraíba

A controvérsia ganha relevância porque a Via Folia não depende exclusivamente de recursos privados.

Em janeiro de 2026, o Governo da Paraíba anunciou a destinação de R$ 1 milhão para a associação, dentro do pacote de investimentos públicos voltados ao Carnaval de João Pessoa.

O financiamento público coloca em discussão a necessidade de critérios transparentes e impessoais na utilização desses recursos, especialmente quando o dirigente da entidade manifesta publicamente a intenção de excluir profissionais por divergências políticas.

Embora empresários privados tenham liberdade para definir suas contratações dentro dos limites legais, a aplicação de dinheiro público está sujeita a regras de prestação de contas e aos princípios da administração pública.

Vereador chegou a pedir renúncia

A declaração inicial também provocou reação na Câmara Municipal de João Pessoa.

O vereador Guguinha Moov Jampa (PSD) cobrou a renúncia de Francinaldo da presidência da associação, argumentando que o dirigente não poderia utilizar suas preferências políticas como critério para decisões relacionadas a um evento apoiado pelo poder público.

O parlamentar também destacou a participação financeira da Prefeitura de João Pessoa na estrutura do pré-carnaval e defendeu que as escolhas particulares de Francinaldo não sejam confundidas com as responsabilidades da entidade.

A Via Folia reúne blocos tradicionais e participa da organização de uma das principais manifestações culturais da capital paraibana.

Até o momento, não há comprovação de que algum artista tenha sido efetivamente impedido de participar do evento por sua posição política. Entretanto, a declaração inicial do presidente e sua posterior tentativa de restringir o alcance das próprias palavras ampliaram o debate sobre a gestão dos recursos públicos destinados à festa.