Em meio ao acirramento do cenário político na Paraíba, o governador Lucas Ribeiro reagiu com ironia à instalação da CPI da Cagepa pela Câmara Municipal de João Pessoa e sugeriu que a iniciativa tem motivação eleitoral. A declaração foi dada nesta quinta-feira (21), poucos dias após o avanço da comissão que pretende investigar falhas no abastecimento de água e problemas de esgotamento sanitário na capital paraibana.
Sem citar diretamente adversários políticos, o governador classificou como “coincidência” o surgimento da investigação em um período de pré-campanha e afirmou que o foco do governo seguirá voltado para entregas administrativas e obras estruturantes.
“Talvez seja muita coincidência, né, às vésperas das eleições, isso acontecer. Mas a gente vai focar no nosso trabalho, na nossa gestão, em entregar ações e buscar soluções”, afirmou. Segundo ele, a população está mais interessada em resultados concretos do que em disputas políticas. “O povo quer solução, não conversa fiada”, completou.
A fala ocorre após o presidente da Câmara de João Pessoa, Dinho Dowsley, oficializar a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito. O pedido foi apresentado pelo vereador Ícaro Chaves e terá participação de sete parlamentares indicados pelas bancadas da Casa.
Entre os principais alvos da investigação estão as constantes interrupções no fornecimento de água em bairros da capital e denúncias relacionadas ao despejo de esgoto. Vereadores favoráveis à CPI também levantam suspeitas de que parte das paralisações no abastecimento possa esconder um possível racionamento não assumido oficialmente pela companhia.
Ao longo dos últimos meses, a Cagepa tem atribuído os cortes temporários no fornecimento a serviços de manutenção, obras de ampliação e melhorias operacionais no sistema hídrico.
A instalação da comissão também amplia a pressão política sobre a recente Parceria Público-Privada firmada pela estatal para transferência dos serviços de esgotamento sanitário em municípios do Litoral e do Alto Piranhas para a iniciativa privada. O modelo vem dividindo opiniões entre aliados e opositores do governo estadual e deve permanecer no centro do debate político nos próximos meses.