Quando empréstimos, cartões e outras dívidas passam a consumir 70% da renda mensal, o consumidor já pode estar diante de um quadro de superendividamento. O alerta foi feito pelo superintendente do Procon Paraíba, Félix Araújo Neto, durante participação no programa Senso Crítico, da FGTV, nesta semana.
Segundo Félix, há casos em que o comprometimento financeiro chegou a um nível no qual praticamente não sobra dinheiro para as despesas do dia a dia. “A gente tem visto muita gente, por exemplo: o salário cai na conta e praticamente o cheque especial cobre tudo”, relatou.
Para atender consumidores nessa situação, o Procon-PB mantém um núcleo específico de enfrentamento ao superendividamento. O serviço conta com psicólogo, assistente social e advogados e atua tanto na orientação quanto na busca por alternativas para renegociação dos débitos.

“A gente entende que a partir dos 70% já há um superendividamento. A partir dos 70% de comprometimento da renda, a gente tá falando de um superendividamento”, explicou o superintendente.
O sinal de alerta, porém, pode surgir antes. De acordo com Félix, quando as dívidas alcançam cerca de 50% da renda, o consumidor já enfrenta um nível de comprometimento financeiro que merece atenção.
A atuação do núcleo considera também a necessidade de preservar o chamado mínimo existencial, evitando que o pagamento das dívidas impeça o consumidor de arcar com gastos básicos. A assistência pode incluir análise da situação financeira e negociação com bancos e outras instituições credoras.
Durante o Senso Crítico, Félix afirmou ainda que o modelo desenvolvido na Paraíba ganhou reconhecimento fora do Estado e que o Procon-PB foi escolhido como referência no Nordeste para essa estrutura de atendimento.
A intenção do órgão é ampliar novamente o alcance do serviço após o período eleitoral. Segundo o superintendente, os mutirões de renegociação deverão ser retomados em diferentes municípios para facilitar o acesso de consumidores endividados às possibilidades de negociação.