Paraíba, quarta, 22 de julho de 2026

Flávio Bolsonaro volta a questionar urnas eletrônicas e cita ligação inexistente com empresa venezuelana

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Senador defendeu envio de observadores internacionais às eleições de 2026; TSE reafirma que Smartmatic nunca forneceu urnas ao Brasil.

A menos de três meses do início oficial da campanha eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a colocar em dúvida a segurança do sistema eletrônico de votação brasileiro ao repetir uma alegação já desmentida pela Justiça Eleitoral. Durante encontro com diplomatas e embaixadores realizado nesta terça-feira (21), em Brasília, o parlamentar afirmou, sem apresentar provas, que as urnas eletrônicas brasileiras teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic.

No evento promovido pela consultoria Novo Selo Comunicação, Flávio Bolsonaro citou um suposto relatório da CIA sobre o processo eleitoral na Venezuela e defendeu que governos estrangeiros enviem o maior número possível de observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras de 2026.

“Há poucos dias houve uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. Muitas dessas máquinas utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, declarou o senador.

A afirmação, no entanto, contraria informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte já esclareceu reiteradas vezes que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem desenvolveu os softwares utilizados nas eleições brasileiras. Segundo o tribunal, a empresa prestou apenas serviços de transmissão de dados e voz em contratos específicos e chegou a participar da licitação para fabricação das urnas das eleições de 2020, mas foi derrotada pela Positivo Tecnologia.

A inexistência de qualquer vínculo entre a Smartmatic e o sistema eletrônico de votação brasileiro também já foi apontada em verificações realizadas por diferentes veículos de imprensa e agências independentes de checagem de fatos.

Durante o encontro, Flávio Bolsonaro também comentou a reunião promovida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, em julho de 2022. Na ocasião, afirmou que o pai foi declarado inelegível por manifestar preocupação com a transparência das eleições.

O ex-presidente, entretanto, foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Para a maioria dos ministros da Corte, a reunião com diplomatas foi utilizada para disseminar alegações sem provas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, configurando desvio de finalidade do cargo público.