Paraíba, quarta, 29 de julho de 2026

Mulheres podem ser o fiel da balança pró-Lula em 2026

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Vantagem entre eleitoras pode ganhar peso decisivo em uma disputa novamente apertada.

O Nordeste foi o grande responsável por levar Luiz Inácio Lula da Silva de volta ao Palácio do Planalto em 2022. Quatro anos depois, porém, outro segmento pode assumir papel central na disputa presidencial: o eleitorado feminino. As pesquisas indicam que as mulheres podem se tornar o fiel da balança em favor de Lula, embora o cenário ainda esteja aberto e sujeito a mudanças até a eleição.

Na eleição passada, Lula venceu por menos de dois pontos percentuais dos votos válidos, mas construiu no Nordeste uma diferença de aproximadamente 12,5 milhões de votos. O petista alcançou 69,3% na região, contra 30,7% de Jair Bolsonaro, neutralizando a vantagem do adversário no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O cenário apontado pelos levantamentos mais recentes sugere uma possível mudança no eixo da disputa. Pesquisa Datafolha mostra Lula com 50% das intenções de voto entre as mulheres, dez pontos à frente de Flávio Bolsonaro, que aparece com 40%. Entre os homens, o quadro é de empate técnico: 46% para Flávio e 45% para Lula.

A diferença ganha relevância porque as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, quase nove milhões de eleitores a mais do que os homens. Em uma eleição que pode voltar a ser decidida por margem estreita, esse contingente tem potencial para influenciar diretamente o resultado.

A dificuldade do bolsonarismo em ampliar sua presença entre as eleitoras não é recente, mas os desgastes das últimas semanas podem agravar esse problema. O embate público entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, somado a declarações depreciativas atribuídas a aliados de Eduardo Bolsonaro sobre o voto feminino, expôs uma tensão justamente em um dos segmentos mais estratégicos da corrida eleitoral.

Pesquisa Genial/Quaest sobre a crise mostrou que 42% dos entrevistados consideraram Michelle Bolsonaro vencedora da disputa interna, sinal de que a ex-primeira-dama preserva capital político próprio.

Esse patrimônio foi construído ao longo dos últimos anos. Desde que assumiu o comando do PL Mulher, em março de 2023, Michelle investiu na formação de uma rede nacional de participação feminina no campo conservador. O Projeto Alicerça Brasil estruturou mais de 400 grupos e mobilizou cerca de 5 mil mulheres em atividades políticas e comunitárias.

Os efeitos desse trabalho apareceram nas eleições municipais de 2024. Segundo dados divulgados pelo próprio partido, o PL elegeu 1.005 mulheres, crescimento de 45,8% em relação ao pleito anterior. Ainda assim, a liderança de Michelle passou a enfrentar desgaste provocado por conflitos internos e ataques de setores ligados à própria família Bolsonaro.

Se em 2022 o Nordeste foi decisivo para a vitória de Lula, em 2026 as mulheres podem ocupar esse papel. Por enquanto, as pesquisas mostram uma vantagem do presidente entre as eleitoras, mas o peso real desse movimento só será conhecido à medida que a campanha avançar.