O senador Renan Calheiros elevou o tom das acusações contra o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ao relacionar supostos favorecimentos ao Banco Master com operações envolvendo familiares do parlamentar.
Em discurso realizado na última terça-feira (12), Renan afirmou que uma cunhada de Hugo Motta teria recebido um empréstimo de R$ 140 milhões do Banco Master em condições consideradas suspeitas. Segundo o senador, a operação jamais teria sido quitada e nem mesmo cobrada pela instituição financeira.
Para Renan Calheiros, o episódio representa um dos pontos mais graves das investigações que envolvem o banco, justamente por, segundo ele, indicar a existência de benefícios concretos concedidos a pessoas próximas ao presidente da Câmara.
“O caso do Master está escalando e vai escalar cada vez mais”, declarou o senador durante a sessão da CAE, afirmando ainda que novos fatos estariam surgindo em meio às apurações conduzidas por órgãos como a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.
O parlamentar também vinculou as suspeitas à atuação de Hugo Motta na aprovação de uma emenda legislativa que previa a destinação obrigatória de recursos de fundos de previdência e pensão para investimentos em créditos de carbono — medida que, segundo críticos, poderia beneficiar grupos empresariais ligados ao Banco Master.
As declarações ocorrem meses após a divulgação de informações sobre uma operação financeira envolvendo Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, a empresária contratou em 2024 um empréstimo de R$ 22 milhões junto ao Banco Master para aquisição de um terreno de mais de 400 hectares em João Pessoa, na Paraíba.
A operação ganhou repercussão após questionamentos sobre as garantias apresentadas no contrato, consideradas inferiores ao valor liberado pelo banco. Bianca Medeiros negou qualquer favorecimento relacionado ao vínculo familiar com Hugo Motta, enquanto o presidente da Câmara afirmou não possuir relação financeira direta com a instituição.
Nos bastidores políticos, o caso ampliou a pressão sobre Hugo Motta em meio ao avanço de investigações e discussões judiciais envolvendo medidas legislativas associadas ao Banco Master e ao mercado de créditos de carbono.
A fala de Renan Calheiros reforça o clima de tensão em Brasília em torno das relações entre o setor financeiro, o Congresso Nacional e operações que passaram a ser alvo de questionamentos públicos e jurídicos.