Paraíba, sexta, 15 de maio de 2026

Tibério Limeira reage após nova denúncia do MPPB e fala em “perseguição política” na Operação IndignusPolítica

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Ex-secretário nega irregularidades no programa Prato Cheio, critica vazamentos seletivos e afirma que nunca foi chamado para depor durante investigação.

O ex-secretário de Administração e Desenvolvimento Humano da Paraíba, Tibério Limeira (PSB), se pronunciou nesta quinta-feira após ter o nome incluído em uma nova denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) no âmbito da Operação Indignus, que investiga supostas irregularidades na execução do programa Prato Cheio.

A denúncia aponta possíveis desvios de recursos entre os anos de 2021 e 2023 em contratos voltados à distribuição de refeições em municípios paraibanos. Segundo o Ministério Público, o esquema investigado teria provocado prejuízo estimado em R$ 10,3 milhões, além de movimentações financeiras que ultrapassariam R$ 20 milhões em convênios ligados ao caso.

Ao todo, oito pessoas foram denunciadas, entre ex-gestores, empresários e servidores públicos. Além de Tibério Limeira, também aparecem na denúncia a ex-secretária Pollyanna Werton (PP), ex-diretores do Hospital Padre Zé e outros investigados ligados à operacionalização do programa.

De acordo com o MPPB, a investigação apura supostos pagamentos irregulares a agentes públicos e empresas vinculadas ao mesmo grupo familiar responsável por parte dos contratos analisados.

Em nota enviada à imprensa, Tibério afirmou ter recebido a denúncia “com absoluta perplexidade” e criticou o fato de ter tomado conhecimento do caso por meio da imprensa antes de qualquer comunicação oficial.

“Recebo com absoluta perplexidade a informação de que fui novamente denunciado no âmbito de fatos relacionados ao Hospital Padre Zé, tomando conhecimento não por meio de comunicação oficial, mas através de vazamentos seletivos para setores da imprensa”, declarou.

O ex-secretário também afirmou que jamais foi chamado para prestar esclarecimentos durante a investigação conduzida pelo Ministério Público.

“É preocupante que um cidadão seja exposto publicamente antes de exercer plenamente o direito constitucional de defesa. Mais grave ainda é nunca ter sido chamado para prestar esclarecimentos em qualquer etapa investigativa relacionada aos fatos divulgados”, disse.

Na manifestação, Tibério ainda questionou a condução da apuração e sugeriu que o desmembramento das denúncias teria potencializado a exposição pública dos investigados.

“Causa estranheza o fracionamento sucessivo de fatos inseridos no mesmo contexto investigativo, com aparente objetivo de multiplicar denúncias, ampliar repercussões midiáticas e promover desgaste público continuado”, afirmou.

O ex-secretário negou qualquer participação em irregularidades e citou um relatório recente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB), que, segundo ele, não apontou falhas durante sua gestão à frente da Secretaria de Desenvolvimento Humano.

“Sempre conduzi minha vida pública com legalidade, transparência e compromisso com o interesse coletivo. No mês de abril, o Tribunal de Contas apresentou relatório de inspeção especial sobre convênios da SEDH com o Hospital Padre Zé sem apontar irregularidades no período em que estive à frente da secretaria”, declarou.

Ao concluir a nota, Tibério Limeira voltou a negar envolvimento nas suspeitas e afirmou confiar no andamento do processo judicial.

“Não aceitarei que minha trajetória pública seja alvo de perseguição política travestida de atuação institucional. Confio na Justiça, no devido processo legal e na demonstração da minha inocência”, concluiu.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público ainda será analisada pela Justiça. Como o caso envolve ex-secretários estaduais, a competência para decidir sobre o recebimento ou eventual arquivamento da ação é do Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB).